quarta-feira, 8 de abril de 2009

Poetas de Abril






















MEU AMOR QUE EU NÃO SEI

Meu amor que eu não sei.
Amor que eu canto.
Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto.
Por quem fico.
Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa,
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
Para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade!
Joaquim Pessoa

In "Amor Combate"

3 comentários:

Méon, disse...

O amor da liberdade!
Abril!

Bj

Andradarte disse...

Gostei que tivesse colocado o Joaquim...sabe da minha amizade e admiração pela sua escrita.
Parabéns
Beijo

Baila sem peso disse...

Minha amiga fico honrada
pelo desafio que me fizeste
mas não achas que mal parece
pelos grandes, acompanhada?
Sinto na veia a correr a poesia
mas será que tenho estofo
para essa simpatia?
Não me parece...no entanto experimentei...
agora como aí fazer chegar...isso já não sei...
tens algum cantinho onde possa deixar?
Bonito gesto teu, recordar Abril
(um mês que não só de liberdade, para mim, tem encantos mil!)

Beijinhos para ti e que a poesia
seja como fala e que sempre te sorria!