Gozo os campos sem reparar para eles.
Perguntas-me porque os gozo.
Porque os gozo respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
É ter uma noção do seu perfume nas nossas ideias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo:vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo,que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos-
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma coisa dos ruídos indistintos das coisas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas.
E só um resto de vida ouve.
Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa
Perguntas-me porque os gozo.
Porque os gozo respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
É ter uma noção do seu perfume nas nossas ideias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo:vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo,que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos-
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma coisa dos ruídos indistintos das coisas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas.
E só um resto de vida ouve.
Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa
