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domingo, 17 de maio de 2009

Catarina de Bragança, infanta de Portugal, rainha de Inglaterra


Acabei agora de ler o livro de Isabel Stilwell, Catarina de Bragança, A Coragem de uma Infanta Portuguesa que se tornou Rainha de Inglaterra. Este livro conta a história de Catarina de Bragança desde o nascimento até à morte. A escrita da autora é muito simples e fluida. O livro não pretende ser uma obra-prima da literatura, apenas uma biografia completa da rainha. Apesar de alguns factores serem romanceados, todas as fases da vida de Catarina são contadas com muito rigor histórico e são raras as personagens do livro que não são reais.
O livro começa por contar a infância simples e despreocupada de Catarina e de seus irmãos no Palácio de Vila Viçosa. Tendo o seu pai sido aclamado rei após o domínio Filipino ,a sua vida sofre uma grande transformação.Da Vila Viçosa Natal, Catarina vem para Lisboa, onde D:João IV e D. Luisa de Gusmão encontrarão sérias dificuldades para vencer a guerra com Castela.

Paço da Ribeira, Lisboa, Séc. XVII

No Paço da Ribeira a tragédia parecia não os abandonar! Aí perdeu os seus dois irmãos mais velhos, Teodósio, o herdeiro do trono, e Joana, a sua confidente.
Com a morte de sua irmã, coube-lhe a ela a tarefa de fazer um casamento útil ao esforço de guerra. Foi também aqui que começou a formar o seu carácter com a influência positiva de Padre António Vieira e de seus pais. Poderíamos dizer que Catarina herdou o melhor de cada um dos seus pais: o carácter forte da mãe e o feitio doce do pai.

Depois de uma longuíssima negociação o seu casamento com o rei Carlos II, de Inglaterra, é estabelecido e a vida desta jovem infanta de Portugal, rainha de Inglaterra deu este enorme romance, que me parece rigoroso nos dados históricos e nos dá também uma ideia das diferenças culturais entre os dois países e do peso da religião na época.



domingo, 10 de maio de 2009

Leituras da convalescença



A convalescença tem as suas vantagens! Sobra mais tempo para a leitura!
Acabei de ler este romance de Pepetela, escritor Angolano que nos brinda sempre com belas (e humoristicas, muitas vezes) descrições da sociedade Angolana actual!
Nesta obra,tendo como pano de fundo uma história de amor impossível entre um jovem angolano e uma jovem mongol na Moscovo Internacionalista, narra-nos um pouco da história de Angola desde os anos sessenta com o surgimento dos movimentos de libertação até aos nossos dias passando pela longa guerra civil!
Uma viagem no tempo e no espaço para uma geração cansada de guerra, onde o Amor triunfa contra todas as fronteiras físicas e mentais!
A sua escrita é fluída, leve e simples como todas as boas obras!
Este autor tem uma obra vasta e de muito interesse sociológico para a história de África!

quinta-feira, 12 de março de 2009

A vida num sopro,um romance de José Rodrigues dos Santos


«Porque me pareceu que era o momento certo de fazer uma pausa na sequência dos thrillers históricos e científicos e dar algo de diferente, embora sempre assente na mesma ideia-base: procurar que os romances não sejam passatempo, mas ganhatempo. A História é escrita pelos vencedores e a verdade é que muitas vezes os vencidos têm dela uma versão diferente, embora essa versão tenda a permanecer silenciada. O Estado Novo foi derrotado pela Revolução de Abril e, no discurso contemporâneo, tornou-se uma espécie de demónio do século XX português. Mas o facto incontornável, embora convenientemente escondido, é que Salazar foi um homem muito popular durante a década de 1930. Muitos portugueses viam-no como uma espécie de Messias, visão que só mudou a partir de 1945 com a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. E a questão é esta: se Salazar era assim tão mau, por que razão uma importante parte das pessoas no País gostava dele? O que trouxe ele de novo? Essa foi a pergunta que me levou a escrever o romance, em que espero dar um contributo para uma melhor compreensão da ascensão do Estado Novo»
É assim que José Rodrigues dos Santos justifica a escrita do seu mais recente romance. Um ganhatempo! É verdade um ganhatempo que se lê com gosto de fio a pavio e dá uma ideia clara do espírito da época!
A história de amor transporta-nos ao universo camiliano, na intensidade e impossibilidade da paixão. Esta narrativa decorre num universo pidesco e salazarista,na época em que o Estado Novo se consolida, com grande satisfação dos portugueses que nutriam grande amor e respeito pelo Toninho, forma carinhosa como se referiam ao ditador em ascensão!
As personagens, muito bem caracterizadas,são envolvidas numa trama a que não conseguem fugir e aprendem depressa que "viver é sofrer", pelo menos no Portugal dos anos trinta do século vinte!
É uma obra de muito valor literário e histórico que vale a pena LER!